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O Pectus Excavatum Causa Refluxo, Palpitações ou Falta de Ar?

  • há 10 horas
  • 7 min de leitura

O pectus excavatum pode afetar muito mais do que apenas a aparência da parede torácica. Essa deformidade estrutural ocorre quando o esterno e a cartilagem costal próxima se curvam para dentro. Por muito tempo foi tratada principalmente como uma questão estética, mas estudos publicados nos últimos anos mostram que, dependendo da gravidade, ela também pode afetar o funcionamento do coração e dos pulmões [1][2]. Neste artigo, analisamos, com base no que a literatura realmente mostra, os três sintomas mais perguntados por pacientes e famílias: palpitações, falta de ar e refluxo.

A visão médica sobre esse tema mudou gradualmente. No passado, o impacto do pectus excavatum na saúde era frequentemente subestimado; com a evolução das técnicas de imagem (ecocardiografia, tomografia computadorizada, testes de esforço cardiopulmonar), ficou mais claro o quão próximo o esterno afundado pode ficar de estruturas vizinhas ao coração [3]. Publicações atuais destacam que os sintomas podem variar de acordo com a gravidade da deformidade e a região onde a compressão é maior [2].

Publicações relacionam palpitações e falta de ar aos efeitos mecânicos da parede torácica.

Essas três queixas têm causas diferentes e nem sempre aparecem juntas no mesmo paciente. Palpitações e falta de ar estão em grande parte ligadas ao efeito mecânico da parede torácica sobre o coração e os pulmões, enquanto para o refluxo a literatura ainda não descreve um mecanismo igualmente claro. As seções a seguir abordam cada ponto separadamente; o objetivo não é diagnosticar, mas resumir com fidelidade o que as publicações dizem.

Palpitações: uma questão de pressão próxima ao coração

As palpitações estão entre os achados cardíacos mais estudados no pectus excavatum. Quando o esterno afunda, especialmente se o ponto de maior compressão estiver próximo ao lado direito do coração (ventrículo direito, área da valva tricúspide), isso pode exercer pressão externa sobre essa região [2][4]. Essa pressão pode impedir que o coração se encha adequadamente durante a diástole (fase de relaxamento); o corpo pode compensar com uma frequência cardíaca mais alta, que o paciente pode perceber como palpitações [4].

Esses efeitos costumam ser mais evidentes durante o exercício. Uma compressão que não é percebida em repouso pode se tornar mais perceptível quando o coração precisa bombear mais sangue durante o esforço físico. Estudos observacionais em atletas mostram que palpitações desencadeadas pelo exercício, dor no peito e pré-síncope (sensação de desmaio) são relatadas com mais frequência do que se esperaria em pessoas com pectus excavatum, embora isso seja frequentemente negligenciado na cardiologia do esporte [1]. Alguns relatos de caso descrevem taquicardia sinusal prolongada e inexplicada, que se revelou causada por uma insuficiência de enchimento cardíaco relacionada ao pectus excavatum [4].

Esses achados também podem aparecer no eletrocardiograma. Publicações relatam que alterações como bloqueio do ramo direito, desvio do eixo e aumento atrial são mais frequentes em pessoas com pectus excavatum, por vezes junto com prolapso da valva mitral ou arritmias [1]. Nem todo paciente apresenta esses achados; a gravidade da deformidade e a localização da compressão são os principais fatores determinantes [2].

Falta de ar: capacidade pulmonar ou restrição mecânica?

A falta de ar é uma das queixas mais frequentemente relatadas por pacientes com pectus excavatum. Em uma pesquisa internacional com pacientes, uma parte significativa relatou falta de ar e dor no peito ao esforço, diária ou semanalmente. Os testes de função pulmonar são normais em alguns pacientes, enquanto naqueles com deformidade mais grave pode aparecer um padrão restritivo [5][6].

O interessante é que a falta de ar nem sempre é diretamente proporcional à capacidade pulmonar. Alguns estudos constataram que a redução da capacidade de exercício e a dispneia não se correlacionam fortemente com os resultados dos testes de função pulmonar, o que sugere que o mecanismo não se limita apenas ao volume pulmonar - a restrição mecânica da parede torácica e fatores relacionados ao coração também podem desempenhar um papel [6]. Outra revisão observa que essa limitação respiratória no pectus excavatum foi subestimada por muito tempo, embora o mecanismo seja hoje melhor compreendido [5].

Por isso, a avaliação da falta de ar não deve se basear em um único teste. Em um mesmo paciente, fatores cardíacos e respiratórios podem atuar simultaneamente; avaliações combinadas, como o teste de esforço cardiopulmonar, podem oferecer mais informações do que um teste de função pulmonar em repouso isoladamente [6].

Qual a clareza da relação com o refluxo?

Sobre o refluxo - o retorno do conteúdo do estômago ao esôfago - a literatura não descreve um mecanismo tão claro quanto o dos achados cardíacos e respiratórios. Algumas famílias e pacientes suspeitam que a alteração estrutural da parede torácica possa afetar a distribuição da pressão abdominal ou a posição do diafragma, contribuindo para sintomas semelhantes ao refluxo; porém, no momento é limitada a existência de uma fonte científica verificada e de grande escala que estabeleça uma relação causal direta entre pectus excavatum e refluxo.

Por isso, o primeiro passo em um paciente com pectus excavatum e sintomas de refluxo é determinar se o refluxo é uma causa independente ou simplesmente coexiste, por coincidência, com a deformidade torácica. O refluxo é uma queixa bastante comum na população em geral, e sua coexistência com o pectus excavatum não estabelece, por si só, uma relação causal. Chegar a uma conclusão definitiva exigiria uma avaliação específica e separada; este artigo não faz uma afirmação causal categórica sobre o assunto.

Os três sintomas podem ocorrer juntos no mesmo paciente?

Sim, mas isso não significa que os três compartilhem o mesmo mecanismo. Um paciente pode ter palpitações e falta de ar ao mesmo tempo, já que ambas podem estar ligadas aos efeitos mecânicos da relação próxima entre a parede torácica, o coração e os pulmões [2][6]. O refluxo, por outro lado, é mais provavelmente um problema de saúde independente que coexiste na mesma pessoa; a presença conjunta dos três não significa automaticamente que eles se causam mutuamente.

A gravidade da deformidade também pode influenciar qual sintoma é predominante. Como a profundidade e a localização da compressão podem afetar diferentes estruturas (ventrículo direito, tecido pulmonar) em graus distintos, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter perfis de sintomas bastante diferentes. Comparar diretamente a experiência de um paciente com a de outro pode, portanto, ser enganoso.

Quando e a qual especialista procurar

A avaliação de um paciente com pectus excavatum que apresenta palpitações, falta de ar ou refluxo não pode ser reduzida a uma única especialidade. Dependendo dos achados, cirurgia torácica, cirurgia pediátrica, cardiologia ou pneumologia podem estar envolvidas - isoladamente ou em conjunto; qual tem prioridade depende da idade do paciente, do tipo de sintomas e da gravidade da deformidade. Como Pectuslab, sediada em Kadıköy, Istambul, também oferecemos apoio informativo às famílias nesse processo de avaliação, para ajudá-las a encontrar o especialista certo.

Uma avaliação rápida é especialmente recomendada quando: as palpitações aumentam com o esforço e não cessam com o repouso; a falta de ar limita as atividades diárias; ou o refluxo é resistente ao tratamento. Nenhum desses achados sozinho significa uma emergência, mas o acompanhamento regular é importante tanto para chegar ao diagnóstico correto quanto para considerar, a tempo, as opções de tratamento (abordagens não cirúrgicas como o sino de vácuo, ou cirurgia), se necessário.

Entre as abordagens não cirúrgicas está o método do sino de vácuo, que aplica pressão negativa sobre a parede torácica. Pode ser uma opção para pessoas selecionadas, especialmente durante os anos de crescimento, quando a parede torácica ainda é flexível; o médico determina quem é um candidato adequado. A linha de produtos Gvacuum da Pectuslab é um dos dispositivos que aplicam essa abordagem - mas é preciso deixar claro: não se afirma nenhuma taxa de sucesso ou garantia de que o dispositivo eliminará palpitações, falta de ar ou refluxo; a adequação é decidida por avaliação médica.

Perguntas frequentes

Todos os pacientes com pectus excavatum têm palpitações?

Não. As palpitações são relatadas com mais frequência em pacientes com compressão grave e próxima ao coração [2][4]; muitas pessoas com deformidade leve podem nunca as sentir.

A falta de ar só ocorre com exercício?

Na maioria dos pacientes, a falta de ar se torna mais evidente com o esforço, mas em deformidades graves ela também pode ser percebida nas atividades diárias [5][6]. Isso varia de pessoa para pessoa e deve ser avaliado por um especialista.

Se eu tenho refluxo, é por causa do pectus excavatum?

Isso não pode ser afirmado com certeza. O refluxo é uma queixa comum na população em geral, e sua coexistência com o pectus excavatum não significa automaticamente uma relação causal; é necessária uma avaliação separada.

Esses sintomas significam que uma cirurgia é necessária?

Não, não isoladamente. A decisão de tratamento é baseada na gravidade dos sintomas, no grau da deformidade e nos achados do exame e dos testes. Abordagens conservadoras e cirurgia são opções avaliadas separadamente, de acordo com o quadro clínico [2].

Conclusão

O pectus excavatum não produz sintomas da mesma gravidade em todos os pacientes. Um número crescente de publicações relaciona palpitações e falta de ar aos efeitos mecânicos sobre o coração e os pulmões, enquanto a relação com o refluxo ainda não é descrita com a mesma clareza. Qualquer pessoa que apresente um desses três sintomas deve procurar um especialista capaz de avaliar juntos a gravidade da deformidade e as possíveis causas - esse é o caminho mais confiável para uma orientação adequada.

Fontes

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