Órtese de Pectus e Órtese de Escoliose ao Mesmo Tempo? Como Gerenciar os Dois Dispositivos
- há 3 dias
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As deformidades da parede torácica e as curvaturas da coluna parecem, à primeira vista, condições completamente distintas durante a fase de crescimento, mas a literatura já as avaliou em conjunto em alguns estudos. Uma revisão sistemática sobre a ocorrência de escoliose idiopática do adolescente (EIA) em crianças e adolescentes com deformidade de pectus (carinatum ou escavatum) encontrou uma taxa de escoliose mais alta do que na população geral, chegando a até um em cada cinco pacientes em alguns dos grupos analisados [1]. Esse cenário pode levar algumas famílias a lidar, no mesmo período, com dois dispositivos ortopédicos diferentes — uma órtese de pectus e uma órtese de escoliose.
Em nosso blog, já abordamos como uma escoliose leve associada pode ser acompanhada em pacientes em tratamento de pectus, e como as famílias podem perceber essas duas condições em casa durante a adolescência. Este artigo vai um passo além: quando o uso simultâneo de dois dispositivos diferentes — uma órtese de pectus voltada à parede torácica e uma órtese de escoliose voltada à coluna — é realmente necessário, como isso pode ser organizado no dia a dia.
Este texto não indica diagnóstico, protocolo de uso ou ordem de dispositivos para nenhum paciente específico; as informações aqui apresentadas baseiam-se na prática ortopédica geral e na literatura publicada [1] [2] [3] [4]. Se os dois dispositivos serão usados juntos ou separadamente, e em quais horários do dia, é algo que somente o(s) especialista(s) responsável(is) pelo acompanhamento pode(m) determinar, com base nos achados de cada paciente.
Por Que os Dois Dispositivos Podem Ser Necessários ao Mesmo Tempo
A deformidade de pectus e a escoliose dizem respeito a regiões anatômicas parcialmente sobrepostas, já que tanto a caixa torácica quanto a coluna se formam durante o mesmo período de crescimento. A taxa mais alta de EIA encontrada em pacientes com deformidade de pectus na revisão citada [1] mostra que, em alguns pacientes, as duas condições realmente precisam ser acompanhadas em conjunto. Isso não significa que uma cause a outra; acredita-se que ambas possam surgir como manifestações diferentes do mesmo processo de crescimento.
Na prática clínica, essa situação costuma envolver duas avaliações distintas: a equipe que acompanha a deformidade da parede torácica (que pode incluir cirurgião torácico, cirurgião pediátrico ou especialista em ortopedia) e a equipe que acompanha a curvatura da coluna (geralmente um especialista em ortopedia ou em cirurgia da coluna). Quando, por quanto tempo e com qual prioridade cada dispositivo será usado só fica claro quando essas avaliações são conduzidas em conjunto; um dispositivo não substitui o outro nem é automaticamente considerado prioritário.
Reconhecer essa combinação precocemente é importante, porque tanto a deformidade de pectus quanto a escoliose podem mudar relativamente rápido durante um surto de crescimento. A prescrição de um dispositivo não deve significar que o outro seja negligenciado; cada condição precisa ser avaliada em seu próprio intervalo de acompanhamento, com seus próprios critérios (aparência e flexibilidade para a parede torácica, grau de curvatura para a coluna). Quando a família consulta um especialista, mencionar também o outro achado ajuda a construir um plano de tratamento mais integrado.
Como Planejar o Uso Diário
Para órteses de escoliose, a literatura descreve um padrão de dose-resposta entre o tempo de uso e a resposta ao tratamento; um estudo randomizado com ampla participação mostrou que, quanto maior o tempo médio diário de uso da órtese, mais eficazmente a progressão da curvatura pôde ser controlada [2]. Esse achado reforça que a órtese de escoliose deve seguir o programa regular recomendado pelo médico, e não um uso ocasional; mesmo quando os dois dispositivos são usados juntos, manter o programa de uso da órtese de escoliose costuma ser considerado prioritário.
Já para a órtese de pectus, o tempo diário de uso é individualizado, considerando fatores como a flexibilidade da parede torácica, as características da deformidade e a idade do paciente. Quando os dois dispositivos são necessários juntos, os especialistas costumam buscar um esquema em que ambos possam ser usados em determinados períodos do dia — por exemplo, fora do horário escolar, em casa — de forma simultânea; em alguns pacientes, prefere-se usar cada dispositivo em períodos diferentes do dia. O esquema mais adequado é sempre individual e pode ser revisto ao longo do tempo, nas consultas de acompanhamento.
Ao iniciar uma nova rotina de uso — assim como ao começar com um único dispositivo — costuma-se recomendar um aumento gradual do tempo: primeiro períodos curtos de adaptação, elevando o tempo diário de uso ao longo de alguns dias ou semanas até atingir o programa-alvo. Quando os dois dispositivos são iniciados ao mesmo tempo, esse processo de adaptação pode precisar ser conduzido com paciência, separadamente, para cada um deles.
Conforto, Posicionamento e Cuidados com a Pele
Quando dois dispositivos ficam próximos de uma mesma região do corpo (a caixa torácica e a parte inferior do tronco), podem surgir pontos em que tiras e almofadas se tocam ou se sobrepõem. As diretrizes gerais para o uso de órteses pediátricas recomendam verificar regularmente a pele em busca de vermelhidão ou marcas de pressão, usar uma camiseta ou base limpa e seca sob o dispositivo, e evitar aplicar loções ou óleos na pele [4]. Essas recomendações foram escritas para um único dispositivo, mas o cuidado com a pele costuma se tornar ainda mais importante quando dois dispositivos são usados ao mesmo tempo.
Se for percebida uma área em que as órteses se tocam ou pressionam, essa informação deve ser repassada ao(s) especialista(s) responsável(is) pela prescrição; pequenos ajustes na posição das tiras, no tamanho das almofadas ou na ordem de colocação costumam resolver o problema. As diretrizes gerais recomendam que uma área de vermelhidão que persista por mais de trinta minutos não seja ignorada e seja comunicada ao especialista responsável [4].
Por Que a Adesão Pode Ser Mais Desafiadora com Dois Dispositivos
A adesão ao tratamento com órtese é um tema multifacetado que afeta a rotina diária, a escola, o esporte e o conforto psicossocial do paciente, mesmo quando há apenas um dispositivo envolvido. Um estudo sobre a relação entre qualidade de vida, dor e adesão no tratamento ortopédico com órtese destaca que a real tolerância do paciente ao dispositivo — não apenas o programa prescrito, mas também a experiência diária do paciente — é uma parte importante do processo de tratamento [3].
Quando dois dispositivos são usados juntos, essa equação pode se tornar mais complexa: o tempo para vestir e tirar os dispositivos pode aumentar, é preciso estabelecer um hábito sobre qual dispositivo colocar primeiro, e a escolha de roupas precisa considerar os dois dispositivos ao mesmo tempo. Por isso, para famílias que acompanham os dois dispositivos, uma abordagem em equipe — com troca de informações entre o especialista que acompanha a parede torácica e o que acompanha a coluna — é considerada valiosa tanto para facilitar a adesão quanto para identificar precocemente eventuais conflitos [3].
Pectuslab e Yuxel: Duas Famílias de Produtos, Uma Filosofia de Conforto em Comum
A família de órteses Gpad, da Pectuslab, é uma órtese de pectus carinatum que aplica pressão controlada sobre a parede torácica por meio de almofadas anteriores e posteriores, barra ajustável e tiras; as variações de almofada e os ajustes das tiras podem ser adaptados à anatomia de cada paciente. Órteses voltadas à coluna não fazem parte da linha de produtos da Pectuslab; para essa finalidade, temos uma linha de produtos separada, a órtese de escoliose Yuxel, com informações detalhadas disponíveis em skolyozorteztedavisi.com.
As duas famílias de produtos compartilham uma prioridade de design semelhante: conforto, ajustabilidade e possibilidade de revisão ao longo do acompanhamento, para que o dispositivo possa realmente ser usado de forma sustentável pelo paciente. Isso não significa que um dispositivo "trate melhor" do que o outro — são produtos que visam regiões anatômicas diferentes, prescritos por decisões clínicas diferentes, e que não substituem um ao outro; apenas o(s) especialista(s) responsável(is) decide(m) quando e como cada um deve ser usado.
Para as famílias que desejam saber mais sobre essas duas linhas de produtos, o caminho mais prático é buscar cada informação na fonte correspondente: dúvidas sobre a parede torácica e a família de órteses Gpad podem ser esclarecidas através da Pectuslab, enquanto dúvidas sobre a coluna e a órtese de escoliose Yuxel podem ser esclarecidas em skolyozorteztedavisi.com. Como os dois produtos podem ser necessários no mesmo paciente, mantemos essas fontes de informação separadas, mas complementares.
Perguntas Frequentes
"Preciso usar as duas órteses ao mesmo tempo?" Não; essa é uma decisão totalmente individual. Em alguns pacientes, os dois dispositivos são usados juntos no mesmo período do dia; em outros, em horários separados. Quem define o programa é o(s) especialista(s) responsável(is) pelo acompanhamento.
"Se eu pular uma das órteses, isso afeta a outra?" Os dois dispositivos costumam funcionar de forma independente, e o tempo de uso de um não determina diretamente o resultado do outro; ainda assim, seguir o programa recomendado para cada condição separadamente é importante, considerando a relação de dose-resposta destacada na literatura [2].
"Sinto desconforto quando os dispositivos se tocam, isso é normal?" É um problema de conforto relativamente comum e, na maioria das vezes, pode ser resolvido com ajustes nas tiras ou almofadas; se o desconforto persistir, recomenda-se informar o especialista responsável pela prescrição [4].
"Usar os dois dispositivos juntos acelera o tratamento?" Não; os dois dispositivos têm como alvo achados diferentes e não formam uma combinação que potencializa ou acelera o efeito um do outro. Cada dispositivo tem sua própria justificativa clínica e seu próprio plano de acompanhamento.
Na Pectuslab, trabalhamos com opções de órtese e tratamento a vácuo para deformidades da parede torácica, e encaminhamos dúvidas relacionadas à coluna para a Yuxel, nossa linha de produtos independente voltada à escoliose. Se seu filho ou filha está sendo acompanhado com dois dispositivos diferentes ao mesmo tempo, o passo mais indicado é reunir-se com os especialistas relevantes — que podem incluir cirurgião torácico, cirurgião pediátrico, especialista em ortopedia ou fisioterapeuta — para definir juntos o programa de uso diário de cada dispositivo.
Fontes
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